blog de Paulo de Tarso Brandao


Deveria já ter voltado ontem, mas acabei me demorando nas ruas de Salta e somente agora narro um episódio de ontem. Pela manhã, quando estava saindo para fazer a troca dos pneus, Gerber, um brasileiro que trabalha no hotel onde paramos, de quem eu já falei em outras oportunidades, estava falando que muitos  brasileiros param no hotel e que encontra muita gente. Referiu nesse momento que o Ricardo Atacama já havia parado lá algumas vezes. Eu falei que conhecia o Ricardo em razão do curso off road. Saí para a troca de pneus e quando voltei ao hotel encontrei Ricardo Atacama, Barbosa e Gabriel (que haviam feito o curso no final de semana em que estive), acompanhados por Lauro e Fernando (que fizeram o curso no final de semana seguinte). Foi o acaso. Almoçamos juntos. Foi o ponto alto de Salta nesta viagem. Depois eles seguiram para dormir em Purmamarca.

Hoje pela manhã, com um certo abuso de atraso por parte do Paulo Cezar (1,00 h), partimos em direção a San Antonio de Los Cobres. Testamos novos pneus, que se portaram maravilhosamente no rípio. No entanto, quando passamos 30 Km de San Antonio em direção a Susques estávamos cansados porque encontramos um trecho de areia muito fofa que, unida com a altitude, nos deixou apreensivos. É que se continuassemos correríamos o risco de fazer algum trecho no período da noite. Com a pista naquelas condições e o perigo da noite (com pouco tráfego nesta época), resolvemos voltar para San Antonio, onde pernoitaremos e faremos nova avaliação sobre o melhor caminho a tomar.

Mas a paisagem da cordilheira é fantástica! Acho que vicia, porque eu já estava sentindo muita falta da altitude. Hoje chegamos a 4.085 m. Mais alto que o Paso de Sico, que é o mais alto da cordilheira. O dia estava próprio para esta viagem: sem uma nuvem no céu de um azul maravilhoso e com temperatura perfeita.

O que terminou ficando decidido é que não iremos mais para a Bolívia. Ocorre o seguinte: o Chedid já havia me alertado, alertado que foi por colegas dele do Tribunal do Trabalho da região do Mato Grosso, que em razão de Evo Morales ter legalizado furto e roubo de veículos, o risco é muito grande de entrar-se na Bolívia e voltar a pé. Não quis comentar com o Paulo Cezar para não frustrar a viagem. No entanto, quando chegamos em Salta fomos enfaticamente desaconselhados de cumprir o trajeto. O proprietário da loja que nos vendeu os pneus mostrou reportagens de jornais da região dando conta de fatos concretos. Some-se a isso que ele viaja muito de motos e um de seus lugares preferido é o Salar de Uyuni e ele disse que não se anima entrar lá agora. Contou alguns casos de conhecidos que tiveram a moto alvejada e sairam fugidos de lá. Enfim, chegamos à conclusão que o risco é muito grande. Depois, tenho dúvidas se diante desse quadro o próprio seguro da moto seria pago, diante das notícias veiculadas na imprensa. Logo, fica para outra vez.

Essa circunstância determinou um certo desânimo da viagem. Vamos avaliar, como disse, o que fazer. Talvez uma volta mais lenta, mas de qualquer forma, o inicio da volta. Vejamos.

Beijos e abraços.



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 17h11
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Garupas virtuais,

Ontem fizemos uma viagem maravilhosa. Saímos 8,00 h de Corrientes e chegamos 18,30 h em Salta. Foram 833 Km com temperatura amena, pouco tempo de calor acima de 22 graus e pela paisagem do Chaco. Como disse antes são paisagens diferentes as de Misiones e Chaco. Seria assim como fazer com que os campos finos de Bagé e adjacências se encontrassem com o Serrado. Claro que não são campos tão bonitos os do Chaco, mas o que se vê de entrecôs in natura. Muito gado sendo negociado nesta época e por isso muitas mangueiras e currais lotados. É época também da colheita do algodão. COmo muito da carga cai dos caminhões o acostamento desde de Resistência até muito perto de Salta está todo coberto de algodão, parece até neve. Fica muito bonito, embora dê uma pena do desperdício.

A chegada em Salta, no final de tarde, foi espetacular. Quando na estrada, dava vontade de que ainda faltasse um pouco para chegar para que pudessemos curtir mais o final da tarde na moto. Quando na cidade, a vontade de que o sol continuasse para aproveitar o final de tarde nas ruas de Salta.

Depois de descarregar as motos e tomar aquele banho reconfortante, nada melhor do que algumas empanadas no Doña Salta, acompanhdas, é claro, de uma cerveja Salta. Para finalizar um bife de chorizo (Paulo e Rosana) e um matambre muito especial.

Hoje é dia de manutenção das motos, inclusive com troca dos pneus. Amanhã é dia de início de terra por San Antonio de Los Cobres, Susques e Purmamarca. Näo sei quando volto a blogar porque agora vamos para lugares nos quais nem sempre teremos internet (ou suspeito que não tenha). Vejamos.

Abraços e beijos.



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 08h59
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Caríssimos,

Saímos hoje por volta de 07,15 do Hotel em São Miguel e perto de 8,00 horas estávamos entrando na Argentina. Parecia que iríamos encontrar a chuva logo na saída, mas o tempo se manteve nublado até Posadas e depois viajamos com a companhia do sol. Para época estava um pouco frio.

A bobagem do dia foi a de fazermos quase que direto de Posadas a Corrientes (320 Km).  A tocada estava tão boa que quando vimos já haviamos rodado quase 280 Km direto.

Mas o bom da história é que sempre fico feliz em viajar na região de Misiones. Claro que se trata de um missioneiro (del otro lado del rio), mas a paisagem é realmente deslumbrante. Além disso, tem no caminho cada estância, cada cabaña, cada pedaço de campo... A única desvantagem é a terra vermelha que vai tingindo todas as coisas. As motos já estão avermelhadas.

Interessante é que basta passar a ponte sobre o Rio Paraná e a paisagem do Chaco é completamente diferente.

Hoje encontramos um motociclista de Santos-SP que está viajando há 56 dias com uma Suzuki, Bulevard, 800. Nos disse que nas proximidades de San Antonio de los Cobres encontrou muita neve. Inclusive nos mostrou fotos.

Com a chuva de ontem e com as previsões para os próximos dez dias, inclusive na Argentina e Bolívia, chegamos à conclusão de que poderemos não fazer o percurso programado. Não vamos correr qualquer risco de entrar no Salar e depois não conseguir voltar. Até porque o Paulo tem compromisso com a formatura do Otaviano. Claro que vamos tentar manter a programação, mas se não der vamos nos divertir muito em Salta e no que der para visitar. Interessante que a data desta viagem foi escolhida porque esta é a époco mais seca do ano. Chove muito pouco. Este ano, no entanto, tudo está diferente.

Estamos agora no Hotel Plaza em Corrientes, nos preparando para comer um peixe na costaneira.

Amanhã serã0 883 Km até Salta. Volto de lá.

Abraços para todos.

 



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 19h27
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Caros amigos,

Saímos hoje por volta de 07,30h, Paulo, Rosana (que nos acompanhará até Salta) e eu. O dia amanheceu claro, mas dava a idéia de que não demoraria muito para ficar nublado. Mesmo assim, só encontramos a chuva em Ponte Serrada e ela durou com relativa intensidade até Cordilheira Alta. Chegamos em São Miguel do Oeste por volta de 16,30 h. A primeira parada, como determina a lei, foi em Bom Retiro (Janaina). Segunda, abastecimento em Lages. Depois almoço no Gringo e abastecimento em Cordilheira Alta. A viagem rendeu muito. Uma tocada sem excesso de velocidade, mas sem perder muito tempo nas paradas.

Amanhã a idéia é dormir em Corrientes, mas estamos distante quase 900 Km de lá. Quem vai determinar se venceremos a distância referida no mesmo dia será a alfandega e a imigração Argentina.

Hoje poucas as novidades porque o trajeto é mais do que conhecido.

Um abraço a todos.



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 17h57
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Meus caros amigos.

Acabei de colocar a moto em "ordem de marcha" e de terminar os últimos ajustes para iniciar amanhã uma viagem rápida, novamente com o grande companheiro Paulo Cezar, que inaugura agora uma BMW GS Adventure, em direção ao Salar de Uyuni, na Bolívia. Devemos amanhã dormir em São Miguel do Oeste, na noite seguinte Corrientes e na terceira noite pretendemos estar em Salta.

Pretendo fazer o registro da viagem diariamente, mas há sempre a hipótese de isso não ocorrer, especialmente na Bolívia. Não conheço ainda as possibilidades de comunicação naquele país. A Argentina todos nós já conhecemos e sabemos que é de qualidade.

Estarei novamente no spot. Mas lembro que por vezes ele pode ficar um pouco atrasado, como ocorreu em alguns momento da Ruta 40.

 Desta vez, atendendo uma reclamação bem pertinente, vou tentar descrever o que vimos de bonito e não só contar das dificuldades... Confesso que sempre tenho o medo de "carregar nas tintas" e o relato soar pedante ou exagerado. Mas prometo que vou tentar.

Um abraço a todos os seguidores e até a próxima postagem.

 



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 19h26
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Meus caros,

Ainda para efeito de registro da viagem, volto para agradecer algumas pessoas que contribuiram diretamente para que tudo corresse da melhor forma possível.

Ao Jean da Box Motocicletas, que me ajudou muito na decisão sobre a moto e, inclusive, em batalhar para conseguir o equipamento com o melhor preço na ocasião da compra.

Deborah e Dani, do Programa de Reabilitação de Preparação Física que funciona junto ao Colégio Catarinense, que se encarregaram da preparação física.

Ao Estúdio de Pilates Tatiana de Bem, em especial à Renata, pois tenho como certo que a o desempenho da pilotagem em pé em logos trechos e sem cansaço além do normal.

À Moto Geração, na pessoa do Alexandre, pelo patrocínio que envolveu a revisão e lubrificação da moto, especialmente pela excelente regulagem que tornou a moto ainda mais econômica.

Acho que agora encerrei mesmo, mas...

Abraço



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 18h55
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Amigos e garupas virtuais,

Com disse, mandei fazer uma revisão da moto e fiquei supreso e feliz: coroa, pinhão e correia completamente adequados para atual quilometragem, ou seja, sem "sofrimento" extra pelas condições extremas da viagem. A única substituição foi das pastilhas do freio traseiro e, assim mesmo, por insistência minha, porque os mecânicos disseram que poderia utilizá-las por mais 2.000 Km. Logo, fora a gasolina, a XT 660 apresentou os normais gastos de óleo, filtro e lubrificador da correia. Bem, também normal para a quilometragem, troquei o pneu traseiro. Como já disse anteriormente, foi totalmente adequada para os pisos de asfalto e rípio. Não me fez a menor falta a troca do banco que tantos me recomendaram. Com o banco original pilotei 14 horas seguidas em certo momento em que pegamos rípio e, entre Salta e Florianópolis, fiz 845 Km até Corrientes, 832 até São Miguel do Oeste e próximo de 700 até Florianópolis, em dias consecutivos, sem qualquer cansaço anormal. Estou convencido que é a moto adequada para me assegurar segurança, conforto e diversão. Recomendo!

Vou tentar o exercício da minha avaliação sobre os melhores e piores.

Melhor restaurante: Restaurante Joaquin, de La Rioja.

Pior restaurante (mas muito pior): El Torreón, em Colonia do Sacramento (Uruguai).

Melhor prato: Colchón de Abadejo, da Taberna Vaska, pelo conjunto da obra, mas o prato mais elaborado foi musse de palta com camarão do restaurante Joaquin, de La Rioja.

Pior prato: a paella que não comemos no El Torreón - com camarões albinos e arroz não menos.

Melhor vinho: na Ruta estava vencendo disparado o Doña Paula Reserva, malbec, 2005, de Cafayate, mas o grade Camillo superou com seu Tapiz Reserva, 2006, cabernet/malbec. Fica ainda o registro do Paisajes del Fin del Mundo da Bodega del Fin del Mundo, tomado em Chos Malal, que por ser 2010 estava muito novo, mas que promete para daqui uns cinco anos.

Pior vinho: e existe pior vinho?

Melhor hotel: Hotel Salta, em Salta. Também o melhor custo/benefício. Mas fica o registro para o excelente e charmoso hotel de campo Lemarchand, pouco antes de chegar em Rio Gallegos, que é uma excelente opção.

Pior hotel: o de Perito Moreno. Não era nada ruim, mas como a proposta é a de conter um pior ficou para ele o título.

Cidade mais encantadora: San Martin de los Andes.

Cidade mais feia: Não passamos desta vez, mas está na rota e asseguro que não há nada pior que San Antonio de los Cobres.

Cidade de mulheres mais bonitas (todos já registraram): La Rioja.

No contraponto: La Quiaca.

Melhor atendimento para a minha moto: concessionária Yamaha de Mendoza;

Pior: Concessionária Yamaha de Rio Gallegos (o atendimento é bom, mas a exploração para trocar o óleo é injustificável).

Melhor posto: quase todos da YPF são ótimos,

Pior posto (que nem posto é): o de Bajo Caracoles.

Acho que é isso! Dou por encerrada a viagem Projeto Ruta 40, com os renovados agradecimentos a todos que vieram até aqui. Espero encontrá-los aqui na próxima.

Um abraço a todos.



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 17h41
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Caros amigos,

Como já disse anteriormente e repito, não para ser chato, mas deixar claro a proposta do blog, ele foi criado para dar notícias sem ter que mandar uma mensagem para cada um dos parentes que querem saber onde ando e o que estou fazendo. Este ano, no entanto, por inciativa que não foi minha, ele tomou uma dimensão maior por conta do tamanho viagem e de ter sido noticiado em outras fontes.

É muito complicado, para o meu estilo de encarar uma viagem, um blog que pretenda dar "dicas e informações úteis" ou, ainda, indicar melhores lugares, etc. Cada viajante faz a sua viagem e tem o seu foco de interesse (ainda que estejam viajando em grupo). Certamente a viagem que fiz é diferente da do Paulo Cezar, ainda que tenhamos andado pelas mesmas partes e no mesmo momento.

De qualquer forma, vou registrar, até para servir de meu diário pessoal, algumas informações que me parecem interessante de serem lembradas em outras oportunidades. A primeira constatação é que você vai sempre encontrar, antes de partir, aqueles que colocarão muitos obstáculos para a sua programação. Por exemplo, um dia antes de sair um chato me alertava que o percurso que eu pretendia fazer seria muito perigoso e que "lá tem aquele rípio que já causou muitos acidentes". Depois, é preciso estudar muito bem o trajeto e seguir sua conclusões e especialmente e intuição, porque a quantidade de informações erradas que a gente recebe antes e durante o caminho chega ser espantoso. Por fim, ter consciência de que muitos que estão na estrada, apesar da própria aventura, ainda precisam valorizar mais o sei feito e fazem verdadeiro terrorismo com o que você encontrará pela frente - qualquer ínfima poça de lama é descrito como um atoleiro insuperável.

Como tenho que sair agora, deixo para amanhã os melhores e piores. Espero também a revisão para tecer considerações sobre a moto.

Um abraço



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 19h47
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Caros amigos e companheiros de viagem,

Ontem saí de Corrientes pouco antes das 7,00 horas, acompanhado de uma chuva fraca que me acompanhou até perto de Posadas. Já nas proximidades desta cidade a chuva passou e abriu um sol e passou a fazer um calor infernal. Decidi tirar a capa e de que não a colocaria mais até chegar em casa. O que não lembrei é que estava em Misiones e que sua terra vermelha é aquela mesma de São Luiz Gonzaga (talvez tenha sido uma ação atávica) e do oeste de Santa Catarina. Não havia feito 20 km quando começou a chover intensamente. Nessa região a chuva e os carros e caminhões que saem das estradas vicinais jogam muito barro sobre a pista. Além de tornar a pista lisa, em menos de cincom minutos a moto e a minha roupa já estavam "coloradas". Parei em um posto pouco antes de Eldorado e encontrei Cláudio, do grupo Marcha Lenta, de Ilha Solteira-SP, que estava com a esposa e pilotando uma Drag Star. Enquando lanchava tivemos uma agradável conversa sobre viagens e segui para a fronteira. Por volta de 17,00 horas cheguei a São Miguel do Oeste.

Depois de um hora inteira de banho e lavação da roupa de cordura e das botas, para minimamente poder sair do hotel hoje pela manhã, fui recepcionado pelo Marcus Vinicius, a Érica e a Laura. O grande Camillo havia ficado invocado com meus elogios para o Doña Paula e me apresentou um Tapiz reserva, cabernet/malbec, ano 2006 que superou em muito o vinho elogiado anteriormente. Depois jantamos no restaurante Solaris, agora sem álcool porque eu tinha que viajar hoje cedo, e veio ao nosso encontro o meio tocaio Marcelo de Tarso Zanellato. Pena que tudo foi muito rápido, como sempre acontece em uma visita de passagem.

Hoje pela manhã novamente antes das 7,00 horas saí de São Miguel e toquei direto até Campos Novos, onde abastecia a moto. Próxima parada no tradicional posto da Lanchonete Janaína, onde fiz um lanche rápido. Depois de Rancho Queimado, cerca de 5 km, novamente veio a chuva. Agora finalmente encontrei, próximo de Santo Amaro, a sempre esperada tempestade da região de Salta (que veio sempre na forma de uma chuva tranquila). Deve ter ventado muito pouco antes, pois havia muitas árvores caídas na estrada. Chuva intensa que deixou o trânsito muito lento, porque se via muito pouco na frente e porque produziu muitos pontos de alagamento. Como havia deixado a camiseta para fora da jaqueta e estava usando luvas de verão, cheguei em casa totalmente ensopado.

A chuva da recepção também lavou a alma depois de 25 dias de experiência impar na minha vida.

"Amanhã, ou depois ou depois de amanhã" faço as últimas considerações sobre a viagem para falar, como fiz naquela viagem, não menos importante, que fiz com Carlos Sá Fortes a Natal, sobre os melhores e os piores.

Um abraço.

 



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 19h50
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Valeu caríssimo amigo PC! Aproveita bem por aí que estar em Salta não ocorre todo o dia.

Hoje 6,30 horas saí do Hotel em Salta, já com capa de chuva. Somente tirei a capa em Presidencia Roque Saez Peña. Não deveria, porque em cheguei em Corrientes com chuva, ainda que fraca. O que teve de bom foi que passei todo o Chaco com tempo nublado e com chuva intervalada, por vezes bastante forte. Com isso, não senti o sol abrasador do Chaco e os policiais, aqueles não tem?, não estavam "em serviço".

Saindo de Salta trafega-se 125 km pela Rn9, que é autopista e muito boa. Após entrar na Rn16 começa o sofrimento. São praticamente 400 km de estrada péssima, com muito buraco e com desnível. Em alguns momentos parece melhorar, mas vinte quilometros depois, uma sucessão de buracos. Além disso, muitos animais soltos, entre eles cachorros cavalos e vacas, mas também aqueles que a gente nem mais encontra no Brasil: tamanduá, furão, tatu, preá e muitas aves grandes sobre a pista. Uma vez fui obrigado frear para não atropelar um tamanduá, outra um furão, e terminei matando dois pássaros, um com o joelho direito e outro bateu forte no capacete. A situação se complica porque em alguns lugares não há acostamento em virtude de uma vegetação muito alta do meio da qual saem animais sem que você possa ver com antecedência. Escrevi circunstaciadamente as condições da pista com especial finalidade de alertar o PC, que deve retornar nos próximos dias por esse mesmo caminho.

De qualquer forma, 845 km depois, cheguei no hotel em Corrientes por volta 17,30 h. Amanhã sigo roteiro que montarei após o jantar.

Um abraço a todos.



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 20h06
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Caros companheiros de viagem,

Ontem quando chegamos em La Quiaca a sensação termica dentro das roupas de cordura deveria ser de 40 graus. Choveu na madrugada e pela manhã (saímos com chuva) e caiu a temperatura a ponto de sentirmos uma sensação térmica de aproximadamente 12 graus.

La Quiaca é uma cidade pequena e sem muitas alternativas. Ficamos no único hotel possível e terminamos jantando no hotel mesmo. O cardápio da comemoração foi um excelente churrasco de llama, acompanhado de salada de alface e tomate e batata fritas e, claro, de um cabernet da bodega El Esteco, de Cafayate. Nada que pudesse concorrer à condição de jantar da viagem, mas estava muto bom.

Hoje voltamos para Salta. Amanhã inicio sozinho o retorno. Pretendo dormir em Presidente Roque Saez Peña ou Corrietes. O PC segue em salta aproveitando a região e para fazer alguns passeios que já fiz em outra oportunidade.

Não sei as condiçóes de internet daqui para frente. Sendo possível, farei alguma postagem durante o resto do percurso. Caso contrário, somente quando chegar em casa faço o encarramento da jornada. Estou falando nas condições de comunicação porque aqui na Argentina esse setor está muito bem desenvolvido. Desde o hotel mas simples, até todos as lojas de conveniência de todos os postos de combustível têm wi-fi gratuito para os clientes. O telefone celular tem sinal cheio até no meio do deserto ou no alto da montanha. Quero salientar, no entanto, que se alguém me ligou e não atendi foi porque estava pilotando e -'aí sim a falha - o número que fica registrado é o meu próprio.

Um grande abraço a todos e muito obrigado pela companhia.



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 18h50
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Caríssimos,

Chegamos hoja a LA QUIACA, atingindo nosso objetivo. Não foi possível fazer o último trecho pela pista da 40, mas fizemos o seu entorno. Houve informação de diversas fontes de que seria muito risco tentar o trecho e rípio faltante. Aliás, a recomendação dos policiais durante o trajeto da Rota 9 foi a de que se eventualmente chover a gente pare as motos e espere passar a chuva, porque nesta região os rios crescem em um minuto e podem se tornar perigosos nos trechos que passam por cima da estrada (e são vários os pontos). Além disso, há possibilidade de deslizamentol. Na estrada de rípio as condições pioram muito. De qualquer forma seguimos paralelo com a 40.

Hoje passamos por Jujuy, Purmamarca, Humahuaca, Abra Pampa e chegamos a La Quiaca. Foram pouco mais de cinco mil quilometros desde de Rio Gallegos. Todos os pisos, todos os ventos, todos os pós e todas as temperaturas. Cansados, mas não conseguimos parar de festejar e rir (também pelo mal da Puna) por termos vencido o desafio. Agora começamos a volta, lembrando sempre o Mestre Paulo Voight que alerta para não relaxar a atenção nos últimos cinco minutos da viagem. Certamente iremos atentos a esse ensinamento.

Amanhã voltaremos para Salta e vamos descansar o final de semana e comer salteñas e beber a cerveza de Salta, por óbvio.

Ricardo, as fotos estão em blog separado: www.paulobrandaofotos.blogspot.com.br.

Um abraço a todos.



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 20h00
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Meus caros amigos,

Terminamos a via da Rota 40 mas ainda não está terminada a viagem. Continuamos no entorno da “Ruta” e ainda tem todo o trajeto de volta para casa.

Este blog foi criado com a única e especifica finalidade de dar notícias as amigos e parentes de onde estou e registrar, até para referências minhas em outras viagens, alguns restaurantes, alguns pratos e alguns passeios que possam interessar no futuro. É, portanto, misto de agenda e diário de viagem. No entanto, vou me permitir hoje fazer algumas reflexões sobre este “Projeto Ruta 40”.

Desde o primeiro momento em que o Paulo Cezar me contou que estava planejando a viagem e me convidou para fazê-la, eu “embarquei na viagem”, em todos os seus sentidos. Pareceu, e ainda parece, que era a oportunidade de realizar um sonho que tenho desde criança, mas que não sabia que tinha. Então passei a trabalhar em todos os detalhes que pudessem tornar a viagem realidade.

Primeiro era ter consciência de que a viagem era do PC e que eu estava indo na carona. Claro que dei sugestões e participei intensamente dos preparativos, mas sempre com o cuidado de não interferir no plano-base do idealizador. O único passeio para o qual me programei, não interferiu em nada no curso da viagem: era conhecer o Parque Nacional Los Alerces. Mesmo este, se não desse o acaso de estar em um lugar de parada, não teria sido para esta viagem.

Depois, era preciso encontrar uma motocicleta que pudesse compensar a brutal diferença de piloto que há entre mim e Paulo Cezar. Brinquei dizendo que ele era o “señor de todos los ripios”, mas o considero o piloto de todos os pisos. Precisava de uma moto que pudesse ter uma velocidade de cruzeiro razoável no trecho de asfalto, que fosse capaz de fazer curvas com competência e que tivesse uma grande vocação offroad. Fiz vários testes e cheguei a comprar uma noto menos para aprender a andar na estrada de chão. Finalmente, cheguei na XT 660. Se a moto não foi capaz de uma total compensação (seria exigir demais), cumpriu a finalidade que eu pretendia. Junto com a moto, busquei trazer alguns equipamentos que dessem conforto e segurança para a viagem, como spot, GPS, computador e, por incrível que pareça, uma máquina fotográfica (quase todos já incorporados, mas talvez não tão articulados).

Essa preparação toda já foi um aprendizado. Nunca havia feito uma programação de uma viagem longa de moto e com todas variáveis de tempo, temperatura, condições de pista e de pilotagem.

Mas o aprendizado mesmo veio com a viagem. Aqui mais uma vez devo muito ao PC. Com ele aprendi muito de disciplina e organização. Confesso que sempre saí de casa para qualquer viagem com o máximo de equipamento e cercado de todos os cuidados iniciais (como revisão completa do equipamento, etc). No entanto, no curso da viagem o equipamento, para mim, deve cumprir sua finalidade a qualquer custo. Aprendi, desde o início da viagem, a poupar equipamento, a fazer constante verificação e dar constante manutenção. Não sei se chegaríamos aqui sem essa disciplina. Só para ter uma idéia: em El Calafate encontramos quatro Uruguaios que haviam feito somente o trecho de rípio entre Perito Moreno e El Calafate, que faríamos no dia seguinte no sentido contrário. As motos estavam detonadas. Uma com avarias decorrentes de queda, outra “pegou fogo”, como eles diziam (na verdade aqueceu o motor) e as outras duas pareciam ter saído de uma trilha. No dia seguinte, fizemos o mesmo trecho e chegamos com as motos como haviam saído de Florianópolis (não fosse o pó).

Quando me dei conta estava deitado embaixo da moto em Chos Malal para recolocar no lugar o cavalete central que havia soltado com a trepidação. Mais tarde, consertei (provisoriamente) o suporte do parabrisa que também tinha sido vítima da mesma trepidação. Isso demonstra quanto mudei, não é Caminha?

Enfim, o que quero dizer é que a viagem, especialmente pela compreensão e amizade do PC, está tendo, junto com o grande prazer do desafio e da pilotagem e das maravilhosas paisagens que temos encontrado durante todo o trajeto, me ensinado muito. Só tenho que agradecer imensamente por tudo isso.



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 23h41
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Amigos,

Hoje foi uma viagem tranquila até Salta. A paisagem entre Cafayate e Salta é muito linda, especialmente no chamado Vale das Conchas. A variação de cores é fantástica, predominando o terracota até a metade do caminho. O menor trecho percorrido em toda a viagem, mas aquele em que gastamos mais tempo, em virtude da velocidade reduzida para ver a paisagem e pelas paradas para fotos (amanhã posto algumas).

Hoje aproveitei a tarde para trocar o pneu traseiro da moto. Saí com os pneus já com 4.000 km. Nos útlimos trechos, com asfalto muito quente e abrasivo, terminei ficando no limite para chegar em cssa. Por precaução resolvi trocar aqui mesmo e ficar tranquilo no resto do trecho.

Amanhã seguimos para Purmamarca e lá veremos como continua a viagem.

Hoje ainda vou publicar um texto elaborado hoje pela manhã e que não tive a possibilidade de tornar público. Mas vou fazer em publicação especial.

um abraço a todos.



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 23h41
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Caríssimos.

Ontem, depois de postar mensagens, PC e eu saímos para passear em La Rioja e depois jantar. Como havíamos escolhido o primeiro hotel que encontramos, pouco longe do centro, saímos caminhando por um lugar não muito bonito e, claro, passamos a criticar a cidade e considerá-la uma das mais feias dentre as que havíamos passado. No entanto, logo que nos aproximamos do centro verificamos que se tratava de uma cidade que tem um centro muito bonito. A praça é maravilhosa e a catedral uma das mais bonitas. O que nos chamou mais a atenção, entretanto, foi o número de mulheres bonitas (por metro quadrado, por metro caminhado ou por tempo na cidade). Em razão disso, sentamos em belo bar, na esquina da praça, e estabelecemos um júri particular para eleger a mais bonita de todas. Frustrada a pretensão, porque não conseguimos definir, dado o número delas que transitaram na nossa passarela.

Depois desse exercício, que exigiu bom tempo de análise, fomos jantar. Nova surpresa de La Rioja. Um jantar explêndido em um restaurante chamado Joaquim. O PC comeu um torteletti de salmão e eu um prato que era identificado como creme de palta. Segundo o PC um dos melhores pratos da viagem. O meu era o seguinte: uma cama de alface americana e rúcula, sobre a qual estava um musse de abacate com nozes picadas e, no entorno, uma razoável porção de camarão ao alho e olho (como eu nunca comi em Florianópolis) e, por cima de tudo um molho vermelho magnífico. Pena que depois das cubas um prato desses foi acompanhado com um pomelo.

Hoje foi um dia atípico. Saímos informados de que teríamos 500 km para percorrer totalmente por asfalto e com pista excelente. Ao final a pista nunca foi excelente e tivemos 4 km de rípio. Pior, rípio diferente daquele da patagônia que descrevi antes, porque parece no nosso macadame, só que fixado sobre uma areia grossa e fofa. Mais do que isso, vários foram os rios que tivemos que passar por dentro d’água, já que aqui as chuvas chegaram de forma intensa, como acontece sempre nesta época.

Quando estávamos em viagem fomos parados pela gendermeria nacional, faltando 100 km para chegar. Nesse momento, o policial se encarregou de me informar que há um grande evento aqui e que dificilmente encontraríamos hotel. Tensão imediata. Porém, tudo deu certo e estou aqui no hotel escrevendo este e-mail.

Hoje jantamos um prato que está para concorrer ao “top” da viagem: um cabrito assado com batatas, acompanhado de um Reserva da Bodega Nanni – malbec/cabernet sauvignon 2005. Foi uma ceia memorável.

Mal chegamos a Cafayate e fomos saber da pista que viria. A informação de uma agência que faz passeios de 4x4 é que onde pretendíamos transitar, eles não conseguem nem mesmo de 4x4. O “cara” nos desaconselhou de forma muito enfática a tomar qualquer das estradas de rípio que havíamos marcado.

Em razão do relatado, abrimos mão (se trata de um passeio de férias e não de um rali) da estrada de terra. Amanhã vamos a Salta e depois, talvez La Quiaca e Quebrada e Humauaca, mas agora somente por asfalto.

Estou colocando imagens da nossa passagem por dentro dos rios, entre outras. Amanhã escrevo desde Salta.

Abraços e beijos.

 



Escrito por Paulo de Tarso Brandão às 00h15
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